A VULNERABILIDADE HUMANA E O PODER DA RESSURREIÇÃO
Desde Columbine, em 1999, fomos chamados à atenção para o terror dos assassinatos em série nas escolas. Antes, houve a Escócia, 1996, quando 16 crianças e um professor foram mortos por um estudante suicida. Dali em diante, vimos o horror se repetir no Iêmen (1997), na Alemanha (2002), na Finlândia (2007 e 2008) e agora em 2009 mais uma vez nos Estados Unidos, quando Michael McLendon matou dez pessoas, incluindo sua mãe, e na Alemanha, onde Tim Kretschmer matou 15 pessoas no colégio onde havia estudado. A respeito de McLendon, as autoridades declararam que ele não estava em crise amorosa ou profissional, não tinha ficha criminal, nem histórico de distúrbios mentais. O mesmo a respeito de Kretschmer, era campeão de tênis de mesa e integrado socialmente. Em outras palavras, não se sabe por que fizeram o que fizeram.
As teorias que pretendem explicar tais fatos são diversas: acesso fácil às armas; informação e influência perniciosa na Internet; cultura de violência no cinema, na tv e principalmente nos videogames; distanciamento das relações pais e filhos; inadequacão do sistema educacional; espírito de época - banalização do mal; doenças mentais e distúrbios psicológicos dos assassinos; dentre outras. Mas a verdade é que nenhuma dessas explicações dá conta da barbárie e nem mesmo a soma delas justifica o pendor assassino: como explicar as centenas de milhares de jovens expostos às mesmas condições que não se tornam matadores seriais?
Por trás das teorias se escondem duas questões, a meu ver, mais profundas. A primeira é a necessidade que temos de encontrar explicações para tudo quanto acontece na trama social e natural da vivência humana. Explicar implica compreender, que por sua vez resulta na possibilidade de antever, fazer a profilaxia, evitar, coibir e, principalmente, controlar a realidade em que vivemos, bem como seus agentes do bem e do mal. De fato somos expostos a grande vulnerabilidade quando admitimos que o comportamento humano é imprevisível, inexplicável, indomável. O bicho homem não é determinado geneticamente e, portanto, traz consigo a maravilhosa dimensão da transcendência da consciência e prerrogativa do livre arbítrio, dimensões que se constroem e se expressam na complexidade da existência passível de luzes e sombras.
A segunda questão que justifica tantas teorias e tamanha voracidade em discernir para controlar é a igual dificuldade que temos em admitir a maldade que habita a profundidade humana. Não se trata de pessimismo antropológico, mas, espero, de uma constatação realista das incoerências e conflitividade que habitam a alma humana. "Miserável homem que sou", exclamou o apóstolo Paulo. "Quem me livrará desse corpo mortal? O bem que quero fazer, não faço, mas o mal que abomino, esse faço". Em sua realidade mais intrínseca, o ser humano não é apenas uma consciência livre que precisa escolher o bem em detrimento do mal. É um ser cindido, que carece de redenção, única possibilidade de reencontrar a legítima humanidade que assenhora do direito e possibilidade de dizer sim e não. Enquanto não se rende ao Redentor, vive a agonia e a angústia de aspirar o bem como quem mira uma utopia. Mais que educação, precisamos de salvação. Os ideais da modernidade baseados no mito do progresso, da perfectibilidade humana e da primazia da razão sucumbem diante da beretta na mão de um adolescente. Conforme afirmou Luiz Felipe Pondé, "o iluminismo caminha sobre a fantasia enquanto os homens caminham sobre tumbas". Nossa esperança está naquele que venceu a morte e deixou para trás a tumba vazia.
As teorias que pretendem explicar tais fatos são diversas: acesso fácil às armas; informação e influência perniciosa na Internet; cultura de violência no cinema, na tv e principalmente nos videogames; distanciamento das relações pais e filhos; inadequacão do sistema educacional; espírito de época - banalização do mal; doenças mentais e distúrbios psicológicos dos assassinos; dentre outras. Mas a verdade é que nenhuma dessas explicações dá conta da barbárie e nem mesmo a soma delas justifica o pendor assassino: como explicar as centenas de milhares de jovens expostos às mesmas condições que não se tornam matadores seriais?
Por trás das teorias se escondem duas questões, a meu ver, mais profundas. A primeira é a necessidade que temos de encontrar explicações para tudo quanto acontece na trama social e natural da vivência humana. Explicar implica compreender, que por sua vez resulta na possibilidade de antever, fazer a profilaxia, evitar, coibir e, principalmente, controlar a realidade em que vivemos, bem como seus agentes do bem e do mal. De fato somos expostos a grande vulnerabilidade quando admitimos que o comportamento humano é imprevisível, inexplicável, indomável. O bicho homem não é determinado geneticamente e, portanto, traz consigo a maravilhosa dimensão da transcendência da consciência e prerrogativa do livre arbítrio, dimensões que se constroem e se expressam na complexidade da existência passível de luzes e sombras.
A segunda questão que justifica tantas teorias e tamanha voracidade em discernir para controlar é a igual dificuldade que temos em admitir a maldade que habita a profundidade humana. Não se trata de pessimismo antropológico, mas, espero, de uma constatação realista das incoerências e conflitividade que habitam a alma humana. "Miserável homem que sou", exclamou o apóstolo Paulo. "Quem me livrará desse corpo mortal? O bem que quero fazer, não faço, mas o mal que abomino, esse faço". Em sua realidade mais intrínseca, o ser humano não é apenas uma consciência livre que precisa escolher o bem em detrimento do mal. É um ser cindido, que carece de redenção, única possibilidade de reencontrar a legítima humanidade que assenhora do direito e possibilidade de dizer sim e não. Enquanto não se rende ao Redentor, vive a agonia e a angústia de aspirar o bem como quem mira uma utopia. Mais que educação, precisamos de salvação. Os ideais da modernidade baseados no mito do progresso, da perfectibilidade humana e da primazia da razão sucumbem diante da beretta na mão de um adolescente. Conforme afirmou Luiz Felipe Pondé, "o iluminismo caminha sobre a fantasia enquanto os homens caminham sobre tumbas". Nossa esperança está naquele que venceu a morte e deixou para trás a tumba vazia.
2009 | Ed René Kivitz
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