VOCÁBULOS RELIGIOSOS
Pecado, sm. do latim peccatum; do grego hamartia.

Tradicionalmente, pecado é quebra da Lei de Deus. Literalmente, pecado é “errar o alvo”, isto é, deixar de atingir o padrão estabelecido por Deus para o comportamento humano. Nos dois sentidos, pecado é o que faço ou deixo de fazer. Jesus aprofundou a definição e incluiu as intenções, atitudes e disposições de alma. Nesse sentido, ainda que eu deixe de praticar o ilícito, como por exemplo não matar, o fato de odiar me condena. O apóstolo Paulo foi mais longe e afirmou que o pecado não é apenas o que faço ou deixo de fazer, nem tampouco as disposições de minha alma, mas principalmente o mal que habita em mim e que me impede de fazer o bem. Atualizei essas definições para que me fizessem ainda mais sentido e me ajudassem a fazer escolhas no dia-a-dia. Considero pecado todo ato que, direta ou indiretamente, promove a desumanização, isto é, faz com que eu vá aos poucos me tornando menos humano e mais bestial, e, na verdade, não apenas a mim, mas também às pessoas com quem me relaciono ou estão sob minha influência. Em termos simples, pecado é o que faz mal a mim, ao meu próximo e ao meu mundo. E, porque faz mal, Deus proíbe.

Arrependimento, do vb. arrepender, do latim repoenitere; do grego metanoia.

Tradicionalmente, arrependimento é mudança de comportamento. Literalmente, arrependimento é “dar meia volta”, isto é, passar a caminhar na direção oposta. Em geral, confunde-se arrependimento com a tristeza ou pesar que alguém sente por ter feito ou deixado de fazer algo, uma espécie de lamento pelo erro ou falha. A palavra grega traduzida por “arrependimento” é “metanóia”, de “meta” = além, que transcende, e “nous” = mente, modo de pensar. Por essa razão, acredito que faz mais sentido considerar arrependimento como “expansão de consciência”. Nesse sentido, o arrependimento é a tomada de consciência de uma realidade antes desconhecida. É uma experiência tão forte que até parece que nos tornamos outra pessoa, e depois disso não conseguimos mais viver da mesma maneira, agir ou deixar de agir do mesmo jeito. A pessoa arrependida poderá voltar a praticar o ilícito, mas jamais o fará da mesma maneira, pois estará para sempre cativa de sua nova consciência.

, sf. do latim, fides; do grego pistis.

Tradicionalmente, fé é a certeza de que algo vai acontecer, ou melhor, a certeza de que Deus vai fazer alguma coisa. Ainda em termos tradicionais, há quem trate a fé como a força necessária para que Deus faça alguma coisa. Literalmente, citando a famosa definição bíblica de Hebreus 11:1, a fé é a “prova das coisas que não se vêem e o firme fundamento das coisas que se esperam”, muito embora ninguém saiba ao certo quais são as coisas que a fé prova ou espera. Pessoalmente, compreendo a fé como confiança em Deus, conceito mais próximo de Hebreus 11.6: crer que Deus existe e é bom para com aqueles que o buscam. Ter fé é confiar tanto em Deus que superamos as contingências da vida, vencemos a ansiedade a respeito do futuro e perdemos o medo das notícias, mesmo as piores. Quem tem fé vive sem medo e, nesse sentido, a fé está próxima da coragem existencial: tudo posso naquele que me fortalece [Filipenses 4.13].

© 2008 Ed René Kivitz

Voltar