O Cristianismo, a Cristandade e a Ibab
A visita de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, ao Brasil, entre os dias 10 a 13 deste maio, ocorreu em um momento crítico para a Igreja Romana, e teve como agenda oculta a relação de forças entre a secularização da sociedade em paralelo ao avanço de outras expressões religiosas alternativas ao Catolicismo. "Nos Estados Unidos, dos 49 mil seminaristas de 1965 restaram apenas 4.700. Por todo o mundo, seminários, escolas e conventos foram fechados. A freqüência à missa caiu para menos de 20%, quando era de 75% em 1960. No Brasil, 'o maior país católico do mundo', a Igreja perde mais de meio milhão de fiéis ao ano. O último censo do IBGE diz que, de 1960 para cá, o número de católicos caiu de 90% da população para 73%. No mesmo período, o número de ateus e agnósticos mais que duplicou, de 0,5% para 7,4%. Na Europa Ocidental, metade dos recém nascidos não é mais batizada na Igreja" [Fonte: Mateus Soares de Azevedo, jornal O Estado de S.Paulo].

Um dos fenômenos dessa crise do catolicismo é a fragmentação. "Já não basta se dizer "católico" para ser identificado, é preciso um rótulo adicional: carismático ou focolari, adepto da Teologia da Libertação ou da TFP, do Opus Dei ou da Comunhão e Libertação, integrista ou Arauto do Evangelho" [Fonte: Idem].

A chamada igreja evangélica brasileira, apesar de em momento oposto em termos de crescimento e expansão, padece do mesmo mal no que diz respeito à fragmentação. O Censo de 1980 constatou uma população evangélica no país de 7,9 milhões; contra 13,7 milhões em 1991 e 26,1 milhões em 2000. Caso o crescimento constatado entre 1991 e 2000 continue, a população evangélica brasileira em 2006 estaria em torno de 40 milhões, chegaria a aproximadamente 55 milhões no ano 2010, e seria praticamente 50% da população brasileira em 2022 [Fonte: SEPAL Pesquisas]. Mas também já não basta dizer "evangélico", pois são tantos e tantos e de tantos tipos que carecem de adjetivos: tradicionais, pentecostais ou neo-pentecostais; adeptos da Teologia da Prosperidade; da batalha espiritual; denominacionalistas, independentes ou do movimento das comunidades; da visão dos 12 ou do mover apostólico.

Neste cenário, cabe perguntar onde a Ibab se encaixa. A Ibab é uma igreja cristã evangélica de tradição reformada, formalmente associada à denominação Batista originária da Inglaterra do século XVI, alinhada com o movimento da missão integral. Sua compreensão do evangelho, consolidada ao longo de seus 70 anos de história e mais precisamente em sua história recente, faz da Ibab uma Igreja que valoriza a harmonia entre a prática devocional e o compromisso ético no estilo de vida cristão; a suprema autoridade das Escrituras e o diálogo com as ciências na proclamação e defesa da verdade cristã; a unidade-diversidade-mutualidade na vivência comunitária da fé; o caráter de Cristo e os dons do Espírito na experiência cristã; a evangelização e a ação social no cumprimento da missão da igreja; o amor a Deus e ao próximo como expressão do evangelho.

© 2007 Ed René Kivitz

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