Beijo, abraço, roupa, sandália e anel
Diz a Parábola do filho pródigo ou Parábola dos filhos perdidos, que depois de desperdiçar todos os seus recursos vivendo de maneira irresponsável numa terra distante, o filho mais novo decide voltar para a casa do pai. Leva consigo a intenção de expressar seu arrependimento dizendo três coisas ao pai: Pai, pequei contra o céu e contra ti, não sou mais digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus empregados. Ao chegar, recebe um abraço e um beijo, ameaça falar, mas antes de completar sua confissão o pai o interrompe e demonstra toda a sua sensibilidade através de três ações simbólicas.

O pai manda que seus empregados vistam no filho as melhores roupas da casa. A roupa nova simboliza o perdão dos pecados e o esquecimento da vida passada. Ao receber roupas novas e limpas o pai estava dizendo ao filho: "Tirei de você o seu pecado" (Zacarias 3.1-5). Quando nos arrependemos, isto é, quando tomamos consciência de nossa situação e status diante de Deus e confessamos nosso pecado e pecados, "o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1João 1.7), e passamos a viver livres de culpa e condenação (Romanos 8.1, 31-39), pois Deus lança nossos pecados nas profundezas do mar e deles não se lembra mais (Miquéias 7.19). Por esta razão Paulo apóstolo afirma que nós já nos despimos do velho homem e nos revestimos do novo homem (Colossenses 3.9,10). As roupas novas dizem que o pai outorga perdão.

O pai manda que coloquem sandálias nos pés do filho. Os escravos andavam descalços. As sandálias nos pés representam a restituição do status de filho. O perdão de Deus nos devolve a dignidade. Quando somos perdoados somos vestidos de Deus (roupas novas), e o pecado não faz mais separação entre nós e o nosso Deus (Isaías 59.2; 1.18; João 1.12; 2Pedro 1.4). O arrependimento e a confissão seguidos do perdão nos devolvem os plenos direitos e privilégios de filhos de Deus. Pecado confessado é pecado perdoado. Não existem filhos de Deus de "segunda classe", filhos que pecaram mais e que pecaram menos, filhos que merecem mais e que merecem menos. Deus não tem filhos prediletos. Todos os filhos de Deus são herdeiros, com Cristo, de tudo quanto é de Deus (Romanos 8.16,17). As sandálias dizem que o pai restitui a filiação.

O pai coloca um anel no dedo do filho. O anel é símbolo de autoridade. Quando Faraó deu a José autoridade sobre todo o Egito "tirou do dedo o seu anel-selo e o colocou no dedo de José" (Gênesis 41.41,42). No grego, há várias palavras para filho. As mais comuns são Hiós, que indica o filho emancipado e a maioridade, e Téknon, que se refere à menoridade. Quando Deus nos perdoa e nos recebe de volta em sua casa, não apenas nos restitui a condição de filhos, mas de filhos emancipados (Romanos 8.16,17), e portanto, compartilha conosco sua missão e nos constitui cooperadores na administração de seus negócios, pois isso é o que se espera dos filhos adultos. O anel no dedo diz que o pai renova a vocação.

A vida cristã plena e saudável consiste no equilíbrio destas três dimensões do relacionamento com Deus: a roupa nova do perdão, as sandálias da filiação, e o anel da vocação. Com Deus é assim: beijo, abraço, roupa, sandália e anel.

© 2007 Ed René Kivitz

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