O Cordeiro que esteve morto
Uma das singularidades do Cristianismo é a crença em um Deus que morreu pelas mãos dos homens. Um Deus que morre já é absurdo. Um Deus que morre pelas mãos dos homens é um absurdo maior ainda. Todos os mitos arcaicos e histórias de divindades pagãs contém relatos de deuses que morrem. Mas todos eles morrem assassinados por deuses superiores, mais poderosos e mais fortes. Somente a fé cristã fala de um Deus morto pela mão dos homens.
Nós cristãos respondemos aos que consideram nossa fé absurda que o nosso Deus, na verdade, apesar de ter sido morto, e morto pelas mãos dos homens, na verdade se deixou matar. E se deixou matar porque estava certo de que não seria substituído por um outro deus mais forte e mais poderoso. Antes de sua morte, Jesus disse: "Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai".
Outra diferença entre a morte de Jesus e a morte dos deuses da mitologia e das culturas pagãs é a ressurreição. A prática do duelo entre os antigos visava identificar não o mais forte, hábil ou poderoso, mas o inocente, o justo: morria quem merecia morrer, sobrevivia quem estava com a razão - os deuses sempre faziam justiça. A morte de Jesus, entretanto, acaba definitivamente com esta lógica: em Jesus Deus é a vítima inocente. A ressurreição é a prova de que Deus estava do lado de Jesus, e não daqueles que o assassinaram. Os apóstolos falaram da "ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição. Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato. Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem. Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo".
Assim é Deus. Deus em Jesus. O Deus que, apesar de toda sua autoridade, soberania e glória, manifestas no poder vencer a morte e retomar a vida, se faz fraco por amor, para chamar para si homens e mulheres de toda raça, tribo, língua e nação, e construir uma nova humanidade, com base no amor, na misericórdia e na compaixão. Nada de justiça e juízo, nada de poder esmagador de culpados e castigos aos injustos. O Reino de Deus é o Reino do Cordeiro que foi morto e ressuscitou. É o Reino do amor do Cristo, onde existe apelo ao arrependimento, convite à transformação, e oferta de perdão. Em Cristo Deus se coloca ao lado das vítimas inocentes e revoga a violência e o poder como fontes de autoridade. Em Cristo, sua vida, morte e ressurreição, o nome de Deus se pronuncia com apenas uma palavra: amor.
Eis a razão porque os cristãos celebram a Páscoa em nome do Cordeiro que esteve morto, mas agora está vivo para todo o sempre, e tem as chaves da morte e do inferno, para por em liberdade todos aqueles durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte.
Nós cristãos respondemos aos que consideram nossa fé absurda que o nosso Deus, na verdade, apesar de ter sido morto, e morto pelas mãos dos homens, na verdade se deixou matar. E se deixou matar porque estava certo de que não seria substituído por um outro deus mais forte e mais poderoso. Antes de sua morte, Jesus disse: "Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai".
Outra diferença entre a morte de Jesus e a morte dos deuses da mitologia e das culturas pagãs é a ressurreição. A prática do duelo entre os antigos visava identificar não o mais forte, hábil ou poderoso, mas o inocente, o justo: morria quem merecia morrer, sobrevivia quem estava com a razão - os deuses sempre faziam justiça. A morte de Jesus, entretanto, acaba definitivamente com esta lógica: em Jesus Deus é a vítima inocente. A ressurreição é a prova de que Deus estava do lado de Jesus, e não daqueles que o assassinaram. Os apóstolos falaram da "ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição. Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato. Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem. Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo".
Assim é Deus. Deus em Jesus. O Deus que, apesar de toda sua autoridade, soberania e glória, manifestas no poder vencer a morte e retomar a vida, se faz fraco por amor, para chamar para si homens e mulheres de toda raça, tribo, língua e nação, e construir uma nova humanidade, com base no amor, na misericórdia e na compaixão. Nada de justiça e juízo, nada de poder esmagador de culpados e castigos aos injustos. O Reino de Deus é o Reino do Cordeiro que foi morto e ressuscitou. É o Reino do amor do Cristo, onde existe apelo ao arrependimento, convite à transformação, e oferta de perdão. Em Cristo Deus se coloca ao lado das vítimas inocentes e revoga a violência e o poder como fontes de autoridade. Em Cristo, sua vida, morte e ressurreição, o nome de Deus se pronuncia com apenas uma palavra: amor.
Eis a razão porque os cristãos celebram a Páscoa em nome do Cordeiro que esteve morto, mas agora está vivo para todo o sempre, e tem as chaves da morte e do inferno, para por em liberdade todos aqueles durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte.
© 2007 Ed René Kivitz
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